Em 1991, um encontro improvável preparou o terreno para um dos dramas jurídicos mais notórios dos Estados Unidos. J. Howard Marshall II, um magnata do petróleo bilionário de 86 anos, conheceu Anna Nicole Smith, então uma modelo e dançarina de 23 anos chamada Vickie Lynn Hogan, em um clube de entretenimento masculino em Houston. Três anos depois, eles se casaram. Quatorze meses mais tarde, a morte de Marshall deu início a uma batalha feroz por herança que prenderia a atenção do país inteiro.

Marshall, que havia acumulado sua imensa fortuna graças a um investimento inicial na Koch Industries, já figurava entre os homens mais ricos da América quando seus caminhos se cruzaram. A enorme diferença de idade, o casamento repentino e a riqueza colossal envolvida transformaram a história em uma obsessão midiática nos anos 1990, uma narrativa que levantava uma única e irresistível pergunta: nessa união improvável, quem realmente conduziria o último ato?

Prepare-se. O que vem a seguir é muito mais surpreendente do que você imagina.


Após a morte de J. Howard Marshall II 

Em 1995, a expectativa pública era quase unânime: Anna Nicole ficaria com pouco ou nada. O testamento não mencionava seu nome. A família de Marshall, especialmente seu filho E. Pierce Marshall, moveu-se rapidamente para garantir que a fortuna, estimada em bilhões de dólares permanecesse longe dela. O que parecia o fim da história foi, na verdade, apenas o começo.


Anna Nicole decidiu lutar

Ela alegava que Marshall havia prometido cuidar dela financeiramente e que fora deliberadamente excluída do testamento. O caso saiu dos tribunais estaduais do Texas e se espalhou por instâncias federais, transformando-se em um labirinto jurídico que duraria mais de uma década. Enquanto isso, Anna se tornava uma figura cada vez mais controversa: alvo de tabloides, piadas cruéis e julgamentos morais, frequentemente retratada como oportunista, raramente como alguém tentando ser ouvida.

Em 2000, veio a reviravolta. Um tribunal federal decidiu a favor de Anna Nicole, concedendo-lhe uma indenização de centenas de milhões de dólares. O país ficou atônito. Parecia que ela havia vencido. Mas a vitória foi temporária. A decisão foi revertida, restaurada, novamente contestada, um vaivém judicial que acabou chegando à Suprema Corte dos Estados Unidos.

Em 2006, a Suprema Corte reconheceu que Anna Nicole tinha o direito de levar sua reivindicação aos tribunais federais, uma decisão histórica que ficou conhecida como Marshall v. Marshall. Não era apenas sobre dinheiro: o caso redefiniu limites entre jurisdições estaduais e federais, tornando-se matéria obrigatória em faculdades de direito.


O desfecho humano foi devastador

No mesmo ano, Anna Nicole deu à luz sua filha, Dannielynn. Poucos dias depois, seu filho Daniel morreu inesperadamente. Abalada, fragilizada e cercada por disputas legais incessantes, Anna Nicole Smith faleceu em 2007, aos 39 anos, antes de ver qualquer resolução definitiva.

Quando o martelo final caiu, anos depois, os tribunais decidiram que ela e, por consequência, sua filha não tinham direito à herança de Marshall.


No papel, ela perdeu

Mas a história não termina aí, Anna Nicole Smith entrou para a história não como a herdeira de uma fortuna, mas como o centro de um dos casos jurídicos mais emblemáticos da América moderna. Uma mulher que, contra todas as probabilidades, enfrentou um império financeiro, atravessou o sistema judicial até seu nível mais alto e forçou o país a discutir poder, gênero, imagem pública e justiça.

No fim, a pergunta nunca foi apenas quem ficaria com o dinheiro.

Foi quem tinha o direito de lutar e ser levada a sério.

E, nesse sentido, Anna Nicole Smith já havia mudado o jogo.

Última atualização (2007)


Marshall Vs Marshall