O juiz Luiz Noronha Dantas, do 2º Tribunal do Júri da Capital, recebeu ontem (dia 28 de setembro) denúncia do Ministério Público contra Raquel Avelino Lopes e Vanessa Martins Tavares, pela morte de Luiz Cláudio Lopes, marido da primeira acusada. Ela, em 2005, teria golpeado a vítima com uma pá, após uma briga conjugal, ocasionando a sua morte, e serrado o cadáver, com a ajuda de uma amiga, a fim de jogar partes dele em rio localizado na Tijuca - Zona Norte do Rio. Elas já foram interrogadas e o sumário de acusação marcado para o próximo dia 3 de outubro, às 13h15.

Segundo o MP, em 8 de dezembro de 2005, por volta das 23h, na residência situada em Honório Gurgel, Raquel Avelino Lopes, consciente e voluntariamente, e com vontade de matar, golpeou com uma pá a cabeça da vítima, seu marido, provocando a sua morte. O crime, de acordo com a denúncia, teve motivação fútil e foi por causa de desentendimentos rotineiros acerca de conflitos conjugais.

Ainda segundo o Ministério Público, em 10 de novembro daquele ano, por volta das 23h, no mesmo local, Raquel e Vanessa ocultaram o cadáver de Luiz Cláudio, que foi destruído em partes e colocado em sacos plásticos, a fim de serem despejados em um rio, na Rua Uruguai, próximo ao número 191. A primeira acusada está incursa no artigo 121, parágrafo 2º, inciso II, (homicídio qualificado por motivo fútil) c/c artigo 61, inciso II, alínea "e" (crime contra o cônjuge), e artigo 211 (ocultação e destruição de cadáver), na forma do artigo 69 (prática de dois ou mais crimes), todos do Código Penal. Vanessa, a segunda ré, responderá pelo artigo 211 (destruição, subtração ou ocultação de cadáver), do CP.

Em seu depoimento, Raquel Avelino Lopes, 30 anos, disse ter se casado em julho de 2000. Ela falou que a vítima fazia uso de entorpecentes, sendo que tal consumo não era em sua frente. E, quando fazia uso dessas substancias, ficava mais agressivo. Que a partir de 2000, passou a ser agredida por ele, com palavras e também fisicamente, tendo, inclusive sofrido ameaças de morte. Que no dia do crime, o marido chegou em casa visivelmente drogado e quis manter relações sexuais com ela, o que não foi aceito.

Diante da recusa, ele teria apanhado arma de fogo que possuía e vindo em sua direção e que ela, por medo, "passou a mão na primeira coisa que viu", no caso uma pá, que ficava na parte externa da casa, desferindo um único golpe contra a sua cabeça. Depois, seguiu para o banheiro, ficando ali trancada por 24 minutos. Após, puxou o cadáver da vítima para fora da cozinha e ali jogou querosene sobre o corpo, colocando fogo no mesmo e jogando água em seguida, por não achar "ser correto".

Telefonou, então, para a sua amiga Vanessa, a quem pediu ajuda, sendo a primeira idéia dela chamar a polícia, o que foi logo descartado por Raquel, que argumentou sobre a questão dos amigos da vítima - pessoas ligadas ao tráfico de drogas - que teriam os endereços residenciais de seus familiares. Daí veio a idéia de cortar o corpo, que partiu de Vanessa. Elas tentaram comprar uma mala para colocar a vítima. Seguiram depois para o Norte Shopping mas não conseguiram sacar o dinheiro da conta poupança da vítima no caixa eletrônico, resolvendo, então, comprar uma serra com os únicos 60 reais que a primeira acusada possuía. Após cortar o corpo em partes, elas o ensacaram e colocaram em duas bolsas de viagem, que foram transportadas num carrinho, para serem jogadas num rio da Tijuca.

Fonte: Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro - TJ/RJ
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